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Organização Internacional do Café sediada em Londres registra nível de preço mais elevado de café nos últimos 21 meses

  • 18/11/2016 |
  • Lucas Tadeu Ferreira

O Relatório sobre o mercado de Café outubro 2016, da Organização Internacional do Café – OIC, sediada em Londres e da qual o Brasil é país-membro, traz como um dos seus destaques que a escassez de café robusta provocou a maior alta de preços nos últimos 21 meses no mercado. Segundo a Organização, em outubro deste ano a alta verificada foi significativa e, com isso, a média mensal do indicativo composto de preços da OIC foi de 142,68 centavos de dólar norte-americano por libra-peso, a qual atingiu seu nível mais elevado desde janeiro de 2015. Cada libra-peso equivale a 453,5 gramas.

Os preços indicativos compostos são calculados com base numa 'cesta' das cotações de grupos de café classificados pela própria OIC: Colombian Milds, Other Milds, Brazilian Naturals e Robustas. Com base nessas cotações, são calculados os Preços Indicativos diários dos grupos da OIC; Arbitragem entre as bolsas de Nova Iorque e Londres; e Volatilidade da média de 30 dias do preço indicativo composto da OIC. Conforme consta de gráficos do Relatório, referidos preços sinalizam tendências do mercado mundial de café que valem a pena serem conferidas.

De acordo com as análises da OIC, a elevação verificada recentemente nos preços do café foi muito influenciada pela redução da oferta dos cafés robustas e também pela crescente especulação sobre o tamanho da próxima safra brasileira de 2017/18, pois se trata de um ano-safra de menor produção no ciclo da bienalidade dos cafés arábicas do país. Com a continuação da recente recuperação dos preços, em outubro, a média mensal do indicativo composto da OIC foi a mais alta que se registrou desde janeiro de 2015. O preço diário subiu continuamente, passando de 136,17 a 150 centavos, sua maior alta mensal desde março de 2016.

Exportações no ano cafeeiro 2015/16 - O Relatório da OIC também apresentou recuo, pelo segundo ano consecutivo, no total das exportações de café na safra 2015/16, depois dos recordes alcançados em cada um dos quatro anos cafeeiros anteriores. No ano cafeeiro 2015/16 – que para a OIC compreende o período de outubro de 2015 a setembro de 2016 –, foram exportadas 111,830 milhões de sacas, o que representou uma redução de 0,7% em relação ao ano cafeeiro 2014/15, que foi 112,645.

O documento indica que as exportações de café arábica no ano cafeeiro 2015/16 foram de 71,021 milhões de sacas e apresentaram aumento de 3,2% em relação ao período anterior. Já as exportações de robustas caíram 6,9%, para 40,809 milhões de sacas. "No entanto, as exportações de café verde do maior produtor de robusta, o Vietnã, na verdade aumentaram 8,1%, passando a 22,3 milhões de sacas, embora esta estimativa cubra apenas o café embarcado fisicamente, e não o café liberado pelas autoridades aduaneiras", observou a Organização.

A OIC destacou que o aumento das exportações do Vietnã nesse período foi superado, em volume, pela redução das exportações de robustas verdes da Indonésia, que caíram mais de 25% durante o ano cafeeiro, e do Brasil, que recuaram mais de 72%. Dos cinco maiores países exportadores de café robusta, os embarques brasileiros foram os que apresentaram a maior redução no ano cafeeiro 2015/16.

Exportações em setembro de 2016 - O Relatório enfatiza que, no Brasil, os embarques diminuíram 21,5% no mês de setembro, caindo para 2,5 milhões, e, no caso dos robustas verdes, 90%. "A produção brasileira de robustas é usada principalmente para suprir a indústria interna de solúvel, mas a falta de chuvas e a queda de produção apertaram o mercado e, por um período curto, os preços locais dos robustas superaram os dos arábicas", explicou o documento da entidade.

Segundo a Organização, o aumento expressivo de 42,9% das exportações de café do Peru nesse mesmo mês sugere que a produção desse país está começando a se recuperar do surto de ferrugem que afetou as duas últimas safras. No entanto, o Relatório também informa que as exportações do México diminuíram 3,9%, pois a ferrugem continua a ser um problema no país.

Essas e outras análises constantes do Relatório sobre o mercado de Café outubro 2016, da OIC, estão disponíveis na íntegra no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

Para ler na íntegra o Relatório sobre o mercado de café - outubro 2016 da OIC, acesse:

http://consorciopesquisacafe.com.br/arquivos/consorcio/publicacoes_tecnicas/relatorio_oic_outubro_2016.pdf

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