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Parceria fornece dados para controle de doenças na soja e algodão

Dados serão utilizados no âmbito do projeto Monitora Oeste para informar ao produtor baiano se as condições climáticas estarão favoráveis para a ocorrência de doenças causadas por fungos sobre as culturas da soja e do algodão. - Foto: Wenderson Araujo/CNA

Uma parceria firmada com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) garantirá à Embrapa Territorial o recebimento diário das previsões climáticas para os municípios da região Oeste da Bahia nas 24, 48, 72, 96 e 120 horas seguintes. Os dados serão utilizados no âmbito do projeto Monitora Oeste para informar ao produtor baiano se as condições climáticas estarão favoráveis para a ocorrência de doenças causadas por fungos sobre as culturas da soja e do algodão. Foco do projeto, o oeste baiano integra o Matopiba, fronteira agrícola formada pela confluência das áreas com alta produtividade de grãos nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Os dados do Inmet estão organizados em cinco variáveis: temperatura em 2m; temperatura máxima; temperatura mínima; umidade relativa do ar e vento a 10m. A representação gráfica ocorrerá nas escalas 7x7 km² e 2,8 x 2,8Km². A escala representa o tamanho do pixel em que uma previsão independente foi gerada. O pesquisador Paulo Barroso, líder do projeto Monitora Oeste, ressalta que as escalas geradas pelo Inmet permitem previsões fazenda a fazenda para essa região. “É um grande trabalho feito pelo Inmet para o País. Somos gratos por compartilharem conosco”, disse.

As previsões climáticas são estratégicas para o produtor, pois o clima está diretamente ligado ao surgimento de doenças na sojicultora e na cotonicultura. Como explica o pesquisador Julio Bogiani, o período chuvoso propicia um meio adequado para a proliferação dos fungos. A ferrugem, para a soja, e a mancha da ramulária, para o algodão, são as doenças fúngicas mais observadas na região do oeste baiano. 

O principal meio usado para o combate a essas infecções vegetais são os fungicidas. Na maioria das vezes, a aplicação desses defensivos obedece a uma pulverização calendarizada. Como observa Julio, essa prática não garante a eficiência desejada e, ao final de uma safra, torna-se onerosa para o produtor.

Com os dados das previsões do tempo, as situações de favorabilidade climática para ocorrência e desenvolvimento da ferrugem e da macha da ramulária serão disponibilizados ao produtor baiano em um aplicativo da Embrapa. Essas informações ajudarão na tomada de decisão quanto às pulverizações com vistas a buscar a máxima eficiência e evitar as aplicações calendarizadas. 

Para que o aplicativo revele as situações de favorabilidade, a equipe da Embrapa utilizará modelos matemáticos específicos para cada doença. Os modelos processarão os dados do Inmet para gerar os mapas, que distinguirá por cores as oscilações de cada nível de condição de favorabilidade. O modelo matemático utilizado para a ferrugem foi obtido na literatura, e foi ajustado a partir dos dados do consórcio antiferrugem coordenado pela Embrapa Soja. O modelo para a ramulária foi ajustado pela equipe do projeto, a partir dos dados fornecidos pela Rede de Ramulária, coordenada pela Embrapa Algodão.

Monitora Oeste 

O projeto visa ao desenvolvimento de um sistema de monitoramento e alerta agrícola e fitossanitário para a região do oeste baiano. Os trabalhos também contemplam a criação de uma rede de estações meteorológicas automáticas pertencentes aos produtores rurais - já existentes na região e fora das redes formalmente instituídas no País. As informações serão disponibilizadas através de um aplicativo e um site WebGis, ambos em desenvolvimento pela equipe da Embrapa.

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