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Pesquisa busca adaptar variedades de algodão transgênico para o ambiente tropical

As variedades de algodão geneticamente modificadas (GM) ocupam cerca de 70% da área cultivada no Brasil. Atualmente existem no mercado diversas opções de algodão transgênico para resistência a insetos e tolerância a herbicidas, que têm contribuído para facilitar o manejo da cultura e para a redução de aplicações. No entanto, as especificidades de produção no ambiente tropical requerem novas soluções da pesquisa brasileira, com destaque para a resistência a doenças típicas da região dos cerrados e ao bicudo do algodoeiro, principal praga da cultura no País.

Os desafios para o desenvolvimento de variedades de algodão GM para o ambiente tropical foi o tema da palestra do pesquisador Camilo Morello, líder do programa de melhoramento genético do algodoeiro na Embrapa, na manhã desta quarta-feira (4), durante a6ª Conferência Mundial de Pesquisa do Algodão (WCRC-6), que está sendo realizada de 2 a 6 de maio, no Centro de Convenções, em Goiânia, GO.

Segundo Morello, os programas de melhoramento genético contribuíram significativamente para o aumento da produtividade brasileira. A interação entre genética, o ambiente e o manejo foram fatores importantes para o incremento em produtividade.

Entre as principais características de variabilidade genética a serem exploradas pelos programas de melhoramento estão a qualidade da fibra e a produtividade. "No Brasil nós temos potencial para chegar num curto período de tempo a 2 mil quilos de pluma por hectare, com fibra de comprimento superior a 32 mm e resistência acima de 30 g/tex", informou o pesquisador.

Além disso, Morello acrescentou que é preciso dar ênfase para características como a resistência a doenças, entre elas, a doença azul, ramulária, mancha angular, e nematoides. "Felizmente, nós temos germoplasma melhorado com essas características, aliadas a alta produtividade e qualidade de fibra", disse.

Entre os transgenes que estão sendo incorporados ao germoplasma elite do programa de melhoramento da Embrapa, para o lançamento de novas variedades, estão a resistência a insetos (lepidópteros) e tolerância a herbicidas.

"Até agora ainda não temos nenhuma transgenia para combater o bicudo do algodoeiro, mas esperamos obtê-la no futuro", afirmou.

O pesquisador alertou para o risco das ervas daninhas resistentes a herbicidas. "Acreditamos que é preciso disponibilizar mecanismos diferentes para possibilitar o manejo de resistência de ervas daninhas".

Outra característica que está sendo buscada pelos pesquisadores da Embrapa é a tolerância à seca. "Através de ferramentas biotecnológicas como o gene DREB poderemos aumentar a resiliência das plantas à seca. "

Morello destacou ainda a necessidade de pesquisas de melhoramento preventivo para doenças que ainda não existem no Brasil, como o geminivírus, transmitido pela mosca branca e algumas raças de bacteriose, que podem causar grandes perdas na produtividade.

"O processo para lançamento de uma nova variedade é muito longo e caro, além de ser uma grande responsabilidade, mas é uma contribuição significativa para a eficiência dos sistemas produtivos", concluiu.

Perfil

O pesquisador Camilo Morello é agrônomo com mestrado e doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Coordena a equipe de melhoramento genético do algodoeiro da Embrapa desde 2006. É líder do projeto de pesquisa Desenvolvimento de cultivares de algodoeiro para o aumento da eficiência dos sistemas produtivos em ambiente tropical.

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