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Pesquisa indica que programas nutricionais e hormonais não reduzem severidade do greening

Estudo conduzido em parceria com o Fundecitrus apontou que o custo das aplicações adicionais foi maior que o benefício resultante. - Foto: Divulgação Fundecitrus

Um estudo de campo de três anos conduzido em parceria com o Fundecitrus comparou o efeito de vários programas nutricionais aprimorados (PNA) e pulverização de auxina exógena (fitohormônio) no progresso da severidade do greening e na queda de frutos e produção de laranjeiras adultas assintomáticas e com sintomas da doença. Além disso, estimou a relação custo-benefício dos tratamentos.

Como resultado, ao longo do tempo, nenhum dos programas avaliados contribuiu para a redução da evolução da severidade do greening (que aumentou de 10% para 60%), diminuição da porcentagem de queda de frutos (manteve-se superior a 40% nos ramos sintomáticos) ou para manter ou aumentar a produção de frutos de árvores sintomáticas.

Desta forma, a melhor relação custo-benefício foi obtida para o programa nutricional padrão do citricultor, sem adição de mais nutrientes e 2,4-D. Para cada R$ 1,00 gasto no programa nutricional convencional do produtor, houve uma receita de R$ 84,68 em produção nas plantas doentes, enquanto que, para os PNA com ou sem 2,4-D, a receita variou entre R$ 7,75 e R$ 38,02.

De acordo com o pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi, essas observações indicam que as pulverizações de PNA e 2,4-D não são importantes no controle do greening nem na mitigação de seus danos e que seu uso, ao invés de remover árvores doentes, pode acumular inóculo na propriedade e aumentar a disseminação da doença por toda a região.

“O trabalho mostrou que esses tratamentos não trazem qualquer benefício, apenas elevam os custos de produção”, comenta.

Árvores doentes são fonte de inóculo onde o psilídeo pode adquirir a bactéria que causa o greening e transmiti-la para uma árvore sadia, disseminando assim a doença. “O controle rigoroso do inseto vetor e a eliminação de plantas doentes dentro e fora das fazendas ainda são a melhor forma de controlar o greening a longo prazo”, afirma Bassanezi.

A orientação é que os produtores sejam cautelosos ao utilizarem novos produtos que prometam benefícios contra o greening, ainda sem cura. “Antes de usar um novo produto em toda fazenda, o ideal é testar inicialmente em apenas uma parte do talhão e comparar os resultados com a outra parte que não recebeu o tratamento para verificar se haverá benefício e retorno financeiro”, indica Bassanezi.

Para ler o artigo “Effect of enhanced nutritional programs and exogenous auxin spraying on huanglongbing severity, fruit drop, yield and economic profitability of orange orchards” e conhecer todos os detalhes da pesquisa, acesse aqui.

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