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​Pesquisador do IAC faz visita técnica a dois produtores de batata-semente

O pesquisador da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, vinculado ao Instituto Agronômico (IAC), José Alberto Caram de Souza Dias, fez duas visitas técnicas, em 15 de julho de 2016. Ele esteve nas propriedades Recanto dos Guaindés, em Conchal, e Vila Bairrinho, em Arthur Nogueira, que adotaram a tecnologia de batata-semente e, juntas, produzem 230 mil brotos da variedade Ágata, cultivados em telados, em área total de 1.5002,. A propriedade Recanto dos Guaindés adotou em 2014 o sistema desenvolvido pelo IAC e a Vila Bairrinho começou o cultivo no início deste ano.

Caram esteve acompanhado por agrônomos e estudantes ligados à Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Holambra, e por técnicos e produtores da Cooperativa Agroindustrial de Holambra, que puderam conhecer a tecnologia desenvolvida no IAC e adotada por produtores de diversas regiões do Brasil.

Durante as visitas, o pesquisador abordou aspectos de sanidade e produtividade do plantio. Naquele momento, o plantio na propriedade em Conchal estava com 58 dias e tinha cerca de 350 minitubérculos, por metro quadrado, sendo que cada broto gerou média de três minitubérculos, de tamanho variando entre 1,5 e 3,5 centímetros. “Este é o tamanho ideal para o plantio na forma de minitubérculos, essa produtividade é considerada excelente, contamos até seis minitubérculos em algumas plantas originadas de apenas um broto”, afirma Caram.

“O plantio em Vila Bairrinho, Arthur Nogueira, estava mais jovem, mas também se mostrando com excelente sanidade”, diz o pesquisador. O pesquisador do IAC explica que as propriedades foram escolhidas para a produção de batata-semente por estarem isoladas, em um raio de 30 a 50 quilômetros, de plantações de batatas (Solanum tuberosum L.) e de outros cultivos comerciais de espécies da mesma família das solanáceas. “O isolamento é benéfico para a tecnologia porque proporciona menor risco de contaminação e disseminação de viroses da batata, particularmente as transmitidas por insetos”, esclarece.

A Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Holambra solicitou essa apresentação porque a tecnologia foi o tema do 48º Ciclo de Palestras “Álvaro

Santos Costa”, em Holambra, realizado no último dia 3 de agosto. No evento, o pesquisador do IAC apresentou os aspectos teóricos e práticos do broto de batata-semente.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, as pesquisas desenvolvidas pelo IAC colaboram com o fortalecimento do setor produtivo. “O governador Geraldo Alckmin acredita que a pujança do setor agrícola paulista se deve também à transferência de tecnologias para aumentar a produtividade, garantindo também a sanidade dos alimentos”, afirma.

Entenda a tecnologia do broto de batata-semente

Um telado antipulgões ou campo certificado e alguns brotos destacados da própria batata, também chamados tubérculos/batata-semente — desde que livres de vírus e classificados como “básico” pela legislação vigente: MAPA-IN 32 de 20/11/2012 — é o que o bataticultor precisa para produzir lote adicional de batata-semente com elevada qualidade fitossanitária, com menor custo e de forma sustentável.

Dentre as vantagens da produção de batata-semente a partir do broto, está a redução do risco de introdução de pragas do solo que, segundo Caram, podem estar na epiderme ou na polpa dos tubérculos da batata-semente. “Se comparado à plântula, originada de técnicas de cultura de tecidos in vitro, os brotos têm maior fidelidade genética e menor custo de obtenção. Quanto à sanidade, sendo os brotos destacados de tubérculos livres de vírus, estes estarão igualmente sadios”, explica o pesquisador do IAC.

Segundo Caram, o diferencial deste sistema está na simplicidade do modo de obtenção desse material de propagação para produzir batata-semente em grande escala. Ele destaca que a técnica da cultura de tecido e a do broto se complementam e se tornam mais eficientes, proporcionando maior produtividade na geração de batata-semente básica livre de vírus e de outras pragas.

A tecnologia também possibilita aproveitar centenas de toneladas de brotos destacados de lotes de batata-semente básica, que são descartados pelos bataticultores anualmente. “A tecnologia garante redução de custos de frete internacional, pois o broto pesa de oito a 12 vezes menos que os tubérculos”, ressalta.

Para a produção certificada de batata-semente a partir do broto, o produtor precisa de telado anti-afídeos, onde é feito o cultivo, e de câmara fria para o armazenamento dos brotos e minitubérculos produzidos. O custo de um telado de 300 a 600 m2pode variar de R$ 15 mil a R$ 40 mil. A câmara fria pode custar de R$ 9 mil a R$ 15 mil. O investimento pode parecer grande, mas o retorno é promissor. “O custo da produção de minitubérculos, após a aquisição do telado, é menor”, afirma o pesquisador. Segundo Caram, o produtor pode vender tanto os brotos como os minitubérculos produzidos por menor preço. “Ao invés de descartar o broto, o bataticultor pode utilizá-lo para a produção de um lote de batata-semente certificada, com alta sanidade e baixo custo, pois não gastou com a compra do material de propagação”, defende.

A produção de material de propagação a partir do broto da batata também é considerada sustentável. Segundo o pesquisador, de um único produto, ou seja, de um tubérculo de 35 a 60 centímetros de diâmetro, é possível destacar até quatro brotos. O resultado é o aumento da taxa de multiplicação em até 100%, pois cada um desses brotos plantados produz, em média, três novos minitubérculos. Aumenta-se a produção de batata-semente sem ampliar a área de cultivo, uma vez que os brotos são subprodutos naturais, e sem afetar a produtividade dos tubérculos, que rebrotam. “Faz-se uso de recursos da própria atividade de produção, favorecendo o ambiente e o agronegócio, que tem tido grande demanda na forma de agricultura sustentável”, afirma o pesquisador.

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