NOTÍCIAS

Pesquisadoras do Suriname realizam visita técnica em Goiás e MT

  • 15/02/2018 |
  • Helio Magalhães​

Foto: Antônio da Conceição

Como parte do projeto trilateral entre o Brasil (Agência Brasileira de Cooperação e Embrapa), o Suriname (Ministério da Agricultura do Suriname) e a embaixada da Nova Zelândia no Brasil, a diretora de pesquisa agrícola, marketing e processamento do Ministério da Agricultura do Suriname, Yvvone Ramnarain, acompanhada da pesquisadora, Ruby Kromokardi, participaram de visita técnica em Goiás e Mato Grosso entre os dias 5 a 9 de fevereiro, sobre a Cultura do Arroz de Terras Altas no Brasil.

 A programação foi dividida em três momentos: no dia 5 a equipe do Ministério da Agricultura do Suriname conheceu os trabalhos de pesquisa desenvolvidos na Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO), como a vitrine tecnológica, o desenvolvimento de máquinas e implementos para a agricultura familiar, a Fazenda Agroecológica, além dos experimentos desenvolvidos nos programas de melhoramento genético da cultura do arroz, e o controle de pragas e doenças na cultura.

 Dos dias 6 a 8 de fevereiro as pesquisadoras do Suriname, acompanhadas pelo coordenador técnico do projeto, o pesquisador Adriano Nascentes, e do técnico agrícola Antônio da Conceição Teixeira, foram até o município de Água Boa (MT), onde visitaram a Semear Agrícola, empresa que processa sementes e grãos de arroz.

As pesquisadoras tiveram a oportunidade de conhecer a Unidade de Beneficiamento de Sementes da empresa e os cuidados necessários para se produzir sementes de arroz. De acordo com o Agrônomo Lúcio Adalberto Motta Filho a empresa produz sementes das cultivares BRS Sertaneja, BRS Esmeralda, BRS Serra Dourada e BRSGO Serra Dourada, sendo comercializadas, principalmente, nos estados do MT, GO, MA e TO.

A delegação também teve a oportunidade de conhecer produtores de sementes e de grãos da região; no município as principais áreas para o cultivo do arroz de terras altas são aquelas em que o produtor tem pasto degradado e tem a intenção de renovar o pasto ou alternar com a soja.

Nesse sentido, o dono da terra oferece ao arrendatário a área de graça, fornece o calcário e parte do óleo diesel utilizado nas operações de plantio do arroz, após um ou dois anos de cultivo da cultura, o dono da terra pega a área novamente para formar o pasto, ou para o cultivo da soja.

O custo de produção com o arroz é relativamente baixo na região, cerca de R$ 1 mil em que o arrendatário utiliza semente, adubação de semeadura e uma aplicação de inseticida e outra de fungicida, a adubação de cobertura é feita com 20 kg/ha aos 20 dias após a emergência da cultura. Na região do Vale do Araguaia, entre os Estados de Goiás e do Mato Grosso, se estima uma área de 3 milhões de hectares em pastos degradados com potencial para serem utilizados no cultivo do arroz, destaca Lúcio. 

No dia 9, Yvvone e Ruby, juntamente com Nascente e Antônio visitaram a Fazenda de produção orgânica em Hidrolândia (GO), do agricultor e professor da UFG, Paulo Marçal, que produz arroz, feijão, banana e hortaliças. A produção é comercializada em mercados especializados de Goiânia. Paulo acrescenta que começou a produção orgânica por acaso, tentando provar que era possível cultivar o tomate sem a utilização de agroquímicos. Hoje o professor tem diversas variedades crioulas de arroz, feijão e milho, resgatando os materiais tradicionais de comunidades rurais.

Após a visita a Hidrolândia a delegação seguiu para a sede da Embrapa Arroz e Feijão, sendo realizada as apresentações institucionais da Embrapa e do Ministério da Agricultura do Suriname. O gestor de Ciência e Tecnologia da Embrapa, Élcio Guimarães, ressaltou os principais trabalhos desenvolvidos na Unidade e deixou as portas abertas para novos projetos e parceria, destacando os trabalhos realizados durante o período em que esteve na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), como fonte valiosa de financiamento para desenvolvimento de projetos em parcerias.

Por sua vez, Yvvone relatou os principais trabalhos desenvolvidos no Suriname e manifestou ao gestor de Ciência e Tecnologia da Unidade interesse que um especialista da Embrapa fosse ao Suriname para ministrar curso de produção com equipamentos para a agricultura familiar.  

Para o coordenador técnico do projeto, Adriano Nascente, a viagem das pesquisadoras ao Brasil foi extremamente proveitosa, pois foi possível mostrar às colegas do Suriname como é feito o cultivo do arroz de terras altas no Brasil em áreas extensas, como ainda não são encontradas no Suriname. Além disso, o estreitamento das relações entre os dois países pode proporcionar a elaboração e execução de outros projetos.

Com base nestas ações do projeto trilateral, o governo de Nova Zelândia, com base nos bons resultados obtidos do projeto em Suriname, apoiou uma nova ação para os agricultores familiares do Maranhão e já sinalizou para o apoio a novos projetos envolvendo, principalmente, a cultura do feijão comum no Suriname.  

Projeto Brasil-Suriname e Nova Zelândia - O projeto trilateral envolve a Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE), Embrapa, Ministério da Agricultura de Suriname e a embaixada de Nova Zelândia no Brasil. O projeto se iniciou em abril de 2016 com a instalação de experimentos para avaliação de cultivares (quatro do Brasil e três variedades locais de Suriname), além de experimentos para avaliar níveis de fertilização com nitrogênio, fósforo e potássio.

Por meio do projeto, se propôs realizar pesquisas locais, demonstrando aos agricultores do Suriname técnicas adequadas de cultivo, como adubação, espaçamento e população de plantas e controle de plantas daninhas para promover o aumento significativo da produtividade de grãos de arroz no país, além de garantir segurança alimentar aos produtores Quilombolas que atualmente tem que comprar arroz de outras regiões do Suriname.


ver mais notícias