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​Produtores conhecem oportunidades e exemplos de energias renováveis

  • 31/05/2017 |
  • Nestor Tipa Júnior

Com o custo de energia impactando fortemente o produtor de arroz, empresas e entidades buscam soluções para diminuir esta dor de cabeça dos agricultores quando chega o extrato da conta. Pensando nisto, empresas e entidades estudam formas de mudar este cenário. Na noite desta terça-feira, dia 30 de maio, a décima edição da Semana Arrozeira, promovida pela Associação dos Arrozeiros de Alegrete, discutiu o tema no painel "A Nova Matriz Energética Sustentável Para a Lavoura Arrozeira".

O superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Herlon Goezler de Almeida, apresentou o projeto "Oeste em Desenvolvimento", realizado na Região Oeste do Paraná há quatro anos e que engloba 54 municípios com 1,1 milhão de habitantes. O objetivo foi unificar projetos que já vinham sendo realizados de forma individual. "Precisávamos gerar convergência dos projetos de empresas e entidades na região. Muitas tinham projetos paralelos que inclusive criavam competição entre eles. Hoje geramos um processo único", salientou.

Foram identificadas as cadeias produtivas prioritárias da região: suinocultura, avicultura, bovinos de leite, piscicultura, grãos, turismo e processo metal mecânico. Foram criadas Unidades Produtivas Intensas em Energia Elétrica. Com isso foram criadas Câmaras Técnicas de Energias Renováveis com a implantação de unidades técnicas de referência de geração em energia solar. Goezler provocou os participantes a organizarem processos na Fronteira Oeste de forma a utilizar as diversas fontes de energia que são geradas inclusive nas propriedades, como a oportunidade do biogás. "Não existem concorrências de energias renováveis, pois você pode ter a utilização de vários modelos em conjunto", observou.

Já o presidente da Associação Gaúcha de Energia Solar (Agesolar), Rodrigo Corrêa, falou sobre os benefícios da energia solar, mostrando que é feita uma média de captação das radiações solares. A distribuição pode ser realizada em grupos, como cooperativas ou condomínios, pois a legislação só permite que seja feita de um mesmo CPF ou CNPJ. Conforme o dirigente, a redução da energia elétrica com a instalação de placas solares pode chegar a até 90%. "Temos um caso em que já foi reduzida a conta de R$ 5.494,00 para R$ 253,00", afirmou.

Sobre o retorno do investimento que, conforme Corrêa, tem vida útil de 30 anos, teve uma diminuição de tempo. No meio rural, por exemplo, em 2012 a estimativa era de 16 anos, agora é de 6 a 7 anos. O dirigente falou sobre a criação da Agesolar, que foi fundada no ano passado com a participação de mais de 60 associados, criada após uma demanda das empresas junto ao governo do Rio Grande do Sul para resolver a cobrança dupla de ICMS sobre a energia gerada. "A associação veio para padronizar o mercado, pois existia muita gente que não entregava qualidade ao consumidor final", explicou, acrescentando que a entidade lançará um selo de qualidade para as empresas associadas.

O diretor da Privatto Energia, Marcio Fitchner, informou sobre o projeto de energia eólica que está sendo realizado na região do Carumbé, em Uruguaiana (RS). A proposta está, no momento, em fase de medição, onde são necessários 36 meses antes de poder levar a iniciativa para leilão do governo federal. A área disponibilizada de 5 mil hectares está na etapa de licenciamento ambiental e a potência estimada de geração de energia é de 200 MegaWatts.

Fitchner também falou dos potenciais da Fronteira Oeste para a instalação de projetos de energias renováveis. A radiação da região, por exemplo, é 40% maior do que em regiões na Alemanha, principal país atualmente na utilização das fontes alternativas. A fatia do meio rural da energia alternativa no Rio Grande do Sul é de apenas 4%, mas já ultrapassou o setor industrial, que é de 1%. "A energia renovável pode ser uma grande aliada dos produtores para reduzir custos e aumentar o lucro", explicou.

Mediador do debate, o vice-presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete e CEO da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Fernando Lopa, falou sobre os projetos que estão sendo realizados na região. Lembrou também do papel das instituições financeiras na formalização de propostas de crédito para projetos inovadores. "Precisamos buscar outras formas de financiamento para implantarmos na Fronteira Oeste propostas de maneira que possamos produzir desenvolvimento e baixar o custo da lavoura", salienta.

No painel, o Sicredi Pampa Gaúcho informou que possui linhas de crédito com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de linhas próprias e convênios com empresas. A Unipampa também apresentou o trabalho já realizado na produção de energia no meio rural com o Grupo de Exploração Integrada de Recursos Energéticos, que tem por objetivo consolidar ações de ensino e pesquisa com o desenvolvimento no campo do planejamento destes recursos, enfatizando tanto o lado da oferta quanto o da demanda da energia.

Mais informações sobre a Semana Arrozeira podem ser obtidas pelo site www.semanaarrozeira.com.br.


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