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Projeto Aquarius recebe premiação na Suíça

Trabalho sobre a Saúde do Solo do grupo de pesquisa do Projeto Aquarius é premiado como destaque no 8th World Congress on Conservation Agriculture (WCCA) - Suíça

Nos dias 21 a 23 de junho de 2021, o Profº e coordenador do Projeto Aquarius Drº Telmo Amado (UFSM), o mestrando Jardel Passinato (PPGCS-UFSM) e o colaborador do Projeto Drº Alan Acosta (Drakkar Solos) com apoio da Universidade de Reading (UK) por meio do Prof° Drº Amir Kassam, participaram do principal Congresso em nível internacional relacionado à agricultura conservacionista, o 8th World Congress on Conservation Agriculture (WCCA), onde tiveram seu trabalho escolhido como um dos melhores do evento.  O tema deste Congresso foi “O Futuro da Agricultura: Agricultura Rentável e Sustentável com Agricultura Conservacionista”, sendo realizado no formato online na cidade de Berna, na Suíça. O evento reuniu 784 participantes de 108 países e teve a participação de produtores, consultores, pesquisadores e dirigentes da indústria e de órgãos governamentais. Ao total, foram submetidos 203 trabalhos técnico/científicos, entre os quais, aproximadamente 100 destes foram selecionados para apresentação na modalidade oral. Ao final do evento, 20 trabalhos foram premiados, sendo 12 no formato oral e 8 na forma de pôster.

O trabalho premiado, foi intitulado como “Soil Health Checkup of Brazilian Conservation Agriculture Farming Systems”, sendo apresentado na modalidade oral por Jardel Passinato e visou avaliar a saúde do solo e as práticas de manejo que devam ser adotadas para alcançá-la. "O estudo analisou distintos ambientes produtivos (alto, médio e baixo potencial produtivo, determinados com base em mapas de colheita, imagens de satélite e experiência dos agricultores) em talhões localizados nas principais agro-ecorregiões do país (Sul, Centro-oeste e Nordeste), envolvendo quatro estados brasileiros e consistindo em mais de 60 pontos amostrais", relata o mestrando responsável pela pesquisa, Jardel Passinato (PPGCS-UFSM). Na primeira fase, o trabalho através dos seus parceiros (Drakkar Solos, Stara, Cotrijal e OWS juntamente com a UFSM) selecionaram agricultores, com os quais mantém relações de colaboração e que possuíam histórico de dados consolidados. Este trabalho teve apoio da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) através do edital Agro 4.0. O Projeto Aquarius se dedica a pesquisa de melhoria da qualidade do solo desde 2009.

A crescente demanda por alimentos de qualidade produzidos sob sistemas que gerem o mínimo de impacto ao meio ambiente e que tenham com base um solo saudável, tem pressionado os profissionais do setor agrícola a buscar meios de produção “mais limpos ou descarbonizados”, que sejam capazes de fornecer serviços ecossistêmicos, tais como o sequestro de carbono atmosférico, intensificação da ciclagem de nutrientes e melhor aproveitamento da água. Existe a expectativa que futuramente os serviços ecossistêmicos possam se tornar rentáveis aos agricultores. Neste caso, o monitoramento do sistema produtivo (principalmente do solo) é de primordial importância, a fim de guiar as práticas de manejo que condicionem a manutenção da capacidade produtiva do solo. Neste sentido, a adoção e o aprimoramento dos sistemas de agricultura conservacionista, como o sistema plantio direto, estão no centro das atenções. Atualmente, o Brasil é um dos países com maior adoção do plantio direto, contando com aproximadamente 35 milhões de hectares conduzidos sob este sistema de manejo, porém com uma diversidade muito grande na qualidade de condução do sistema em função das condições de clima, solo, culturas cultivadas, tempo de adoção e manejo. 

Instituições de pesquisa em nível mundial estão em constante busca de indicadores que possibilitem diagnósticos precoces da melhoria ou da degradação do sistema produtivo no âmbito da fazenda. Para isso, além de serem assertivos e sensíveis às variações que vêm ocorrendo, tais parâmetros devem apresentar custos acessíveis ao produtor e a possibilidade da sua interpretação através do estabelecimento de níveis críticos. Na ciência do solo, os atributos químicos e físicos do solo já possuem valores de referência para que se possa inferir sobre a qualidade de manejo que está sendo adotado. Porém, os atributos biológicos, por suas características de elevada variabilidade espacial e temporal e complexidade, são ainda pouco utilizados em larga escala.

Em 2020 a Embrapa lançou o BioAS - Tecnologia de Bioanálise de Solo, com a finalidade de tornar viável a avaliação dos atributos biológicos do solo nas principais regiões produtoras do Brasil. Através de uma rede de suporte de laboratórios capazes de fornecer, além da tradicional análise química do solo, a análise da atividade biológica. O método se baseia na avaliação de enzimas que regulam processos chaves no ciclo do carbono, fósforo e enxofre (no caso deste trabalho, as enzimas β-glicosidase e arilsulfatase). Tais análises passam a integrar um índice de qualidade do solo que ainda está sendo desenvolvido para as macro-ecoregiões brasileiras.

O trabalho destaque no 8th WCCA analisou propriedades no Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Bahia e Goiás, onde através dos bancos de dados existentes, identificaram-se talhões representativos e seus distintos ambientes produtivos. Além do registro das principais atividades de manejo adotadas na última década. Inicialmente, comparando-se as macro-ecoregiões produtoras identificou-se que à medida que a temperatura média e os teores de areia aumentaram, houve diminuição do teor de matéria orgânica e da atividade biológica. O teor de matéria orgânica, o conteúdo de cálcio no solo e a diminuição da acidez (saturação de alumínio) foram importantes fatores relacionados a atividade biológica na maioria das áreas amostradas. O resultado foi relacionado ao melhor desenvolvimento das culturas, já que plantas e atividade biológica estão intimamente relacionadas. À medida que se aumenta o aporte e a diversidade dos resíduos vegetais ao solo, verifica-se a curto prazo o controle da erosão e um gradual efeito positivo na atividade biológica e, consequentemente, no teor de matéria orgânica. 

O trabalho ainda alerta que aproximadamente 40% das amostras coletadas apresentavam baixo teor de matéria orgânica e baixa atividade biológica, demandando um plano de revitalização do solo. Em nível de talhão foi possível relacionar a atividade das enzimas com os diferentes ambientes produtivos. De modo geral, os locais mais produtivos do talhão são também os de maior atividade enzimática, sugerindo um nível de organização elevado do solo. As enzimas ainda apresentaram resultados promissores quanto a diversidade da biota do solo. No trabalho, também selecionou-se a área pioneira do Projeto Aquarius (área da Lagoa em Não Me Toque) e relacionou-se a atividade enzimática que compõe o BioAS (método que está sendo proposto para ser adotado em larga escala no Brasil) com o DNA do solo (método mais complexo, caro e difícil de ser adotado em larga escala, porém muito mais informativo sobre a atividade biológica) obtendo-se resultados muito promissores, uma vez que as enzimas que constituem o BioAS foram capazes de identificar os ambientes produtivos, distinguindo especialmente o ambiente de baixo potencial dos demais, deste modo, se tornando uma ferramenta útil para o manejo sítio-específico do talhão voltado ao aprimoramento da saúde do solo completa o orientador do trabalho, professor Telmo Amado. 

A próxima etapa, é produzir um artigo científico para compor a edição especial do congresso (em uma revista internacional) e divulgar os resultados nacionalmente através do site do Projeto Aquarius. Com isto, espera-se que a atividade biológica seja mais uma camada de informações a ser considerada no planejamento inteligente dos talhões no contexto da agricultura de precisão/digital. Agradecimentos aos agricultores, empresas parceiras e a ABDI que possibilitaram a realização deste trabalho. 

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