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Publicação mostra dinâmica da produção canavieira brasileira nos últimos 30 anos

Documento apresenta uma análise sucinta dos fatores que contribuíram para mudanças na dinâmica de produção, retratando ciclos de retração e expansão, tanto em escala nacional como em macrorregiões. - Foto: Wenderson Araujo/CNA

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) compilaram informações sobre históricos da produção e ocupação de áreas com cana-de-açúcar no Brasil entre 1990 e 2018. O resultado do trabalho foi a publicação “Dinâmica do Cultivo de Cana-de-açucar no Brasil – 1990 a 2018”.

O documento apresenta uma análise sucinta dos fatores que contribuíram para mudanças nessa dinâmica de produção, retratando ciclos de retração e expansão, tanto em escala nacional como em macrorregiões.

O levantamento de dados da cana-de-açúcar foi priorizado frente a outras culturas devido à alta relevância no setor agropecuário. De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a cana-de-açúcar é o 6º produto que mais contribuiu com o valor bruto da produção (VBP) do agronegócio brasileiro, respondendo por 7,4% dos R$ 614 bilhões gerados em 2018. Para isto, ocupou 8,6 milhões de hectares na última safra (2018-19), atrás apenas da soja e do milho, com 35,6 e 17,5 milhões de hectares plantados, respectivamente.

De acordo com a pesquisadora Nilza Patrícia Ramos, “o conhecimento da dinâmica de produção é essencial no planejamento de ações futuras para o setor sucroenergético. Isto, porque as informações de expansão e retração de áreas e da produção embasam as decisões a respeito de investimentos das iniciativas pública e privada em tecnologia, mão de obra e infraestrutura. Inclusive orientam os gestores públicos quanto à necessidade de políticas públicas regionais”, afirma.  

Como resultado, a pesquisa mostrou que houve grande expansão de áreas no Sudeste, que, historicamente, é a maior região canavieira do Brasil, além da região Centro-Oeste, onde quase não havia histórico de cultivo. A área nacional colhida passou de 4,27 milhões de hectares em 1990 para 10,04 milhões de hectares em 2018, um aumento de 135%.

Uma das autoras da publicação, a pesquisadora Paula Packer informa que “neste horizonte longo de tempo, a produtividade nacional aumentou significativamente. No entanto, nos últimos anos foram observadas oscilações que favoreceram quedas de rendimento de colmos, mesmo no Centro-Sul, o que fez soar um alerta dentro do setor sucroenergético para a necessidade de se identificar e sanar as causas que levaram a estas perdas”.

Um dos fatores decisivos para as quedas de produtividade na cultura, segundo os autores, foi o processo acelerado de mecanização da colheita. Porém, “o benefício obtido com a redução da queima foi tão ou mais significativo em termos de saúde humana e qualidade ambiental, que justificou a extensa adoção desta tecnologia”, salienta Paula. Inclusive, os autores reforçam que esta foi a tecnologia que permitiu a diminuição significativa nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) decorrentes de queima de resíduos dentro do “4º Inventário Nacional de Emissões Antrópicas por Fontes e Remoções por Sumidouros de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal”.

O levantamento enfatiza ainda que o aumento da diversificação de produtos gerados a partir da cana-de-açúcar, associado ao intenso esforço do setor produtivo em expandir áreas e incrementar a produtividade foram e continuam sendo os principais fatores responsáveis pela posição de destaque que a cultura ocupa no agronegócio brasileiro. “Entretanto, a caminhada até a atual situação foi longa e árdua desde a sua entrada no Brasil, em 1532. Nestes quase 500 anos, ocorreram períodos de grande expansão e de retrações, influenciados por crises econômicas, programas de governo, condições climáticas, entre outros”, destaca Paula.

Segundo os pesquisadores “com o cenário atual e crescente da colheita crua e possível encerramento total da queima dentro do setor canavieiro, outras práticas que contribuem para emissões de GEE possivelmente passarão a ter maior destaque, como por exemplo a emissão de N2O derivado do fertilizante nitrogenado, utilizado na adubação da cana-de-açúcar e sua associação com a palha mantida pós-colheita crua”, explicam.

Cabe destacar que o setor canavieiro é um dos que estão inseridos mais fortemente na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que premiará os produtores de biocombustíveis com melhor desempenho energético-ambiental. Com isto estima-se uma nova mudança na dinâmica da produção canavieira, com aumento significativo de produtividade e até uma expansão, mesmo que pouco significativa, para novas áreas e sem afetar o meio ambiente.

Esta política passará a contabilizar as emissões de GEE envolvidas no ciclo de vida do biocombustível produzido, incentivando os produtores na adoção de práticas e insumos com menor pegada de carbono e que levem à maior produtividade e ao mesmo tempo apresentem as menores emissões. Os autores afirmam que “este será um importante passo para a implementação de práticas de manejo conservacionista que propiciem a queda das emissões de GEE provenientes da queima de resíduos agrícolas”. Estas práticas têm impulsionado a produção de biocombustíveis, baseada na previsibilidade e na sustentabilidade ambiental, econômica e social.

Documentos 124 tem como autores Danilo Francisco Trovo Garofalo (bolsista da Faped - Fundação Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento) e os pesquisadores Ana Paula Contador Packer, Nilza Patrícia Ramos, Vitor Yukio Kondo, Marília Ieda da Silveira Folegatti e Osvaldo Machado R. Cabral.

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