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Resultados de pesquisa geram otimismo para produtores de kiwi

Foto: ​A apresentação de avanços da pesquisa abriu a programação do Dia da Kiwicultura, realizado nesta quarta-feira (14/10). - Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

A apresentação de avanços da pesquisa, que permitem projetar uma recuperação da cultura do kiwizeiro na região da Serra Gaúcha, abriu a programação do Dia da Kiwicultura, realizado nesta quarta-feira (14/10), na comunidade São Luiz, em Farroupilha. A Ceratosystis fimbriata ou seca-do-kiwizeiro, doença que apareceu há cerca de 10 anos na região e provocou a morte de kiwizeiros, principalmente no RS e SC, e causou prejuízos aos produtores, obrigou instituições de ensino, pesquisa e extensão e empresas privadas a seu unirem em um projeto de pesquisa para encontrar soluções para o problema. A doença, que só atacou o kiwizeiro no Brasil, poderia até levar ao abandono total do cultivo da frutífera, que já tinha uma área pequena plantada, desde a sua origem. Mas, felizmente, hoje a Ceratosystis não é mais limitante para a cultura do kiwizeiro.

Conforme o presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, no auge da cultura, em 2010, o município de Farroupilha tinha 130 ha cultivados por 70 produtores e uma produção de 2.350 toneladas. Hoje, 45 produtores cultivam uma área de 60 hectares, com uma produção de apenas 450 toneladas em 2020. No entanto, o kiwi tem um potencial muito grande de mercado e consumo, já que 90% da fruta consumida no Brasil é importada, além de ser interessante na diversificação da propriedade, tanto para pequenos como para grandes produtores, pela experiência que a região tem na viticultura, que tem um manejo parecido, e pelo ganho econômico que proporciona.

Diante disso, resultados do projeto desenvolvido em conjunto pelas entidades e coordenado pela Embrapa, apresentados pelo professor da Ufrgs, Paulo Vitor Dutra de Souza, apontam que a recuperação é possível a partir da possibilidade de ter mudas de qualidade, livres da doença, inclusive com a introdução de variedades da China e de outros países, e da disponibilidade de plantas com porta-enxerto tolerante à Ceratosystis. De acordo com o professor, um trabalho de melhoramento desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (MG) já tem alguns genótipos tidos como tolerantes ou resistentes e que, inclusive, estão sendo testados a campo em Farroupilha. “Esse genótipo precisa ser multiplicado por maneira vegetativa, ou seja, por estaca, então um dos trabalhos nosso foi melhorar o protocolo para produzir muda de estaca enraizada”, ressalta Souza. Outra ação refere-se ao manejo, tentar mudar ou aprimorar o sistema de poda para melhorar a qualidade do fruto e diminuir a mão de obra no campo.

A produção de mudas e cultivo do kiwizeiro foi tratada pelo empresário e engenheiro agrônomo Gervásio Silvestrin, em atividade de campo ocorrida à tarde. “Nós acreditamos que a cultura do kiwizeiro vai se desenvolver e vai ser a cada dia mais importante para a região da Serra, onde o kiwi tem se adaptado muito bem”, destacou.

O Dia do Kiwizeiro teve, ainda, palestra a atividade prática com o professor da UFSM, Auri Brackmann, sobre armazenagem e conservação de frutas. A promoção foi da Emater/RS-Ascar, Silvestrin Frutas e Prefeitura de Farroupilha, com apoio da UFSM, Ufrgs, UCS, Embrapa, Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária  e Sindicatos Rural e dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha.

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