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Safra de cana-de-açúcar começa mais alcooleira no Centro-Sul

O volume processado de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil atingiu 13,86 milhões de toneladas na primeira quinzena de abril, com queda superior a 8 milhões de toneladas (37,99%) em relação à moagem apurada no mesmo período de 2018. 

Segundo o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “a programação de início de moagem na safra 2019/2020 deveria seguir o padrão tradicional observado todos os anos. Mas as chuvas registradas no início de abril dificultaram tanto a colheita nas usinas que estavam em operação quanto o início de moagem em outras unidades, atrapalhando o cumprimento do cronograma previsto”. 

A previsão era de que 176 usinas estivessem em atividade até 15 de abril, mas até essa data, apenas 150 empresas tinham efetivamente começado safra no Centro-Sul, contra 174 em 2018. Assim, 64 unidades reprogramaram o início de suas operações para a segunda metade do mês. 

Apesar da queda na moagem, a safra 2019/2020 começou ainda mais alcooleira do que a anterior, com 76,45% da cana-de-açúcar processada na primeira metade de abril direcionada à produção de etanol. No ciclo anterior, este percentual foi de 68,65%. 

Com isso, a produção de açúcar somou apenas 339,80 mil toneladas, menos da metade da quantidade fabricada na mesma quinzena de 2018 (712,54 mil toneladas). A produção de etanol, por sua vez, alcançou 736,73 milhões de litros (662,39 milhões de litros de etanol hidratado e 74,34 milhões de litros de etanol anidro). 

“Com o retorno das condições climáticas à normalidade, as unidades restabeleceram o ritmo normal de processamento. Nesse momento, a operacionalização da colheita é realizada normalmente no Centro-Sul”, explicou Rodrigues. 

Vendas de etanol 

As vendas de etanol pelas unidades da região Centro-Sul somaram 1,18 bilhão de litros nos primeiros 15 dias de abril, sendo 6,92 milhões de litros destinados à exportação e 1,17 bilhão de litros ao mercado interno. 

No mercado doméstico, o volume de etanol hidratado comercializado alcançou 863,17 milhões de litros, contra 852,35 milhões de litros apurados na última quinzena de março de 2019 e 599,62 milhões de litros verificados na primeira metade de abril de 2018 – trata-se de uma crescimento de 43,95% advindo da manutenção da competitividade do etanol hidratado e da necessidade de recomposição de estoque dos distribuidores. 

As vendas internas de etanol anidro totalizaram 306,02 milhões de litros na primeira quinzena de abril de 2019, contra 323,92 milhões de litros em igual período da safra passada. Os volumes entregues pelos produtores do Centro-Sul já começam a incorporar de forma mais significativa as transferências para o consumo na região Norte-Nordeste do País. 

Apesar do atraso no início da safra, o estoque de passagem de etanol anidro e de hidratado mantido pelos produtores da região Centro-Sul se manteve em nível elevado, superando 700 milhões de litros no caso do hidratado e 600 milhões de litros de etanol anidro no começo de abril. 

Para Rodrigues “eventuais problemas de abastecimento do renovável não ocorreram por falta de produto nas usinas, mas por problemas logísticos relacionados à retirada e à distribuição do renovável”. 

“É comum os distribuidores reduzirem seus estoques operacionais a partir do final de março quando o início de uma nova safra se aproxima e os preços usualmente começam a cair. Esse movimento aconteceu em 2019; porém o período mais chuvoso em abril pode ter provocado algum problema logístico pontual para uma ou outra distribuidora que não se preparou para essa condição”, acrescentou o executivo. 

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