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Uso de caulim processado é estratégia sustentável e eficiente para o controle do greening

Medida alternativa permite reduzir população do inseto transmissor e também da doença, especialmente quando aliada às medidas convencionais já recomendadas. - Foto: Divulgação Fundecitrus

O uso de caulim processado, produto não tóxico e sustentável, é eficiente para reduzir a população do inseto transmissor do greening e, consequentemente, também diminuir a incidência de plantas doentes nos pomares. Sua utilização, somada ao conjunto de medidas convencionais recomendadas para essa doença, que é a mais grave da citricultura e não tem cura, ajuda o citricultor a aumentar a eficiência do manejo.

A aplicação de caulim para o controle do psilídeo Diaphorina citri tem apresentado bons resultados no campo, explica o pesquisador do Fundecitrus Marcelo Miranda. “Em pomares comerciais em formação e produção, o uso do produto já reduziu em média 40 e 36% da população do psilídeo e de plantas com greening, respectivamente, após três anos de experimento”, completa.

Efeito de “camuflar” as plantas

O caulim processado, quando misturado a água e pulverizado, forma uma camada protetora esbranquiçada nas folhas e frutos que repele o psilídeo, agindo como uma espécie de camuflagem que interfere na localização da planta. Além disso, também interfere na alimentação do inseto, consequentemente reduzindo a incidência do greening.

Atualmente, a orientação é para que o citricultor utilize doses de 2% do produto Surrou­nd® WG (único produto com eficácia comprovada até o momento), com frequência quinzenal de aplicação. “Preferencialmente, o uso deve ser feito durante todo o ano, principalmente no caso dos pomares em formação. Em pomares adultos, pode ser utilizado apenas durante os períodos de maior dispersão do psilídeo e emissão de fluxo vegetativo. Contudo, o citricultor deve estar atento, pois, nos últimos anos (2020/2021), picos populacionais do inseto ocorreram durante todo o ano. As pulverizações devem ser direcionadas principalmente para as bordas dos pomares, nos primeiros 100 a 200 metros, buscando reduzir a entrada do psilídeo na propriedade”, recomenda Miranda.

Manejo do greening exige combinação de ações

Somado às outras medidas convencionais de controle do inseto, como o monito­ramento, controle químico, ma­nejo regional (ações externas), o caulim é uma opção eficiente a longo prazo, pensando na proteção das plantas mais jovens, e também a curto prazo, quando utilizado em áreas mais críticas. Além disso, contribui diretamente com o desenvolvimento de uma citricultura cada vez mais sustentável.

As pesquisas sobre caulim seguem em desenvolvimento, com a avaliação de outros produtos próprios para pulverização e também estudos promissores para seu uso no controle de outras doenças. “Experimentos têm sido realizados pelo Fundecitrus para avaliar se as doses de 1 a 1,5% são eficazes no manejo do psilídeo, o que pode proporcionar economia para o citricultor”, completa Miranda.

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