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Utilização de bandejas na produção de mudas ​

Como acertar na escolha do melhor tipo de bandeja para a produção de mudas de rúcula de modo a proporcionar desenvolvimento adequado das plantas após o transplantio para os canteiros.

A rúcula (Eruca sativa) pertence à família das Brassicáceas, a mesma da couve, também denominada pinchão, produz folhas muito apreciadas na salada. Suas folhas são alongadas e o limbo recortado, com coloração verde-escura e sabor picante (Filgueira, 2003). Cabe mencionar que o seu cultivo pode ser realizado por meio da produção de mudas, bem como de semeadura direta nos canteiros. Porém, devido ao pequeno tamanho de suas sementes, destaca-se a importância de se trabalhar com o sistema de produção de mudas, pois oferece maior facilidade de manejo em relação ao espaçamento entre plantas e entre linhas, além do controle das plantas daninhas, culminando em plantas mais uniformes (Pereira & Puiatti 2005). 

Ao considerar a produção de mudas, a utilização de bandejas, é uma técnica que traz muitas vantagens ao produtor, elevando a produtividade e a qualidade do produto, além de reduzir a quantidade gasta de sementes (Filgueira, 2003).

As bandejas podem ser de isopor ou de plástico, com tamanho variado. Porém, a grande maioria apresenta dimensões de 68cm x 34cm e a quantidade de células (128, 242, 284, 288 etc) é definida conforme o tipo de muda a ser formada. As células podem apresentar o formato de pirâmide ou cone invertido com o intuito de conduzir as raízes para o fundo, onde são perfuradas, proporcionando a poda natural das raízes (Wendling & Gatto 2001).

Existem várias opções de tamanhos e tipos de bandejas para serem utilizadas na produção das mudas de olerícolas. Entretanto, há uma certa preferência pelo uso de bandejas com células menores, pois quanto menor o volume das células, maior será o número de mudas e menor necessidade de substrato, com consequente menor custo de produção (Godoy & Cardoso, 2005).

Em relação aos substratos utilizados nas bandejas, o material deve ser livre de patógenos e de sementes de plantas daninhas, com uma boa qualidade física e uma fonte de nutrientes. A utilização de substrato auxilia no transplantio com a formação de torrões. Pode ser composto por vermiculita expandida, materiais orgânicos, fertilizantes e aditivos (Filgueira, 2008).

Segundo Filgueira (2008), a idade certa para o transplantio das mudas é variável, conforme as condições agroecológicas e a espécie. A profundidade depende da espécie. No no caso das mudas com caule pouco evidente, recomenda-se o plantio na altura do torrão. É preciso ter cuidado para auxiliar na retomada do desenvolvimento, após o estresse produzido pelo transplante.

O uso de bandejas proporciona vantagens ao produtor, como a elevação da produtividade e a qualidade do produto.
O uso de bandejas proporciona vantagens ao produtor, como a elevação da produtividade e a qualidade do produto.

Experimento

Com o objetivo de avaliar a influência de ban-dejas com diferentes tamanhos de células na produção de rúcula (Eruca sativa Miller) e no desenvol-vimento das plantas no canteiro, um experimento foi conduzido, durante os meses de setembro e outubro de 2017, na casa de vegetação e no campo experimental do Univag – Centro Universitário de Várzea Grande - MT. Utilizou-se cultivar de rúcula folha larga (Eruca sativa).

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado (DIC) com três tratamentos, representados pelas bandejas de 128, 200 e 288 células, cada tratamento com sete repetições, totalizando 21 parcelas.

 As bandejas com 128, 200, 288 células foram preenchidas com o substrato comercial, cujos componentes eram casca de pínus bioestabilizada, vermiculita, moinha de carvão vegetal, água espuma fenólica. Posteriormente, as bandejas foram molhadas para melhor aderência do substrato e permanência nas células. Em seguida, procedeu-se a semeadura, com cinco sementes por célula.

As bandejas foram mantidas em estufa de ambien-te protegido coberta com lona plástica transparente, posicionadas em cavaletes de madeira a um metro de distância do solo. As mudas eram irrigadas duas vezes ao dia com o auxílio de um regador de dez litros. O desbaste foi realizado sete dias após a emergência (DAE) das mudas, deixando uma muda de rúcula por célula.

Os canteiros foram preparados e levantados ma-nualmente com a enxada, sendo preparados dois can-teiros com 15cm de altura do chão por 19m de com-primento e 1,20m de largura. Utilizou-se sombrite de 50% como cobertura para os canteiros, onde foram coletadas amostras para análise de solo (Tabela 1).

Seguindo as recomendações de Filgueira (2000) para a cultura da rúcula, foi realizada adubação a lanço com 110,41g de ureia, 30 dias antes do transplantio das mudas de rúcula.

As mudas foram transplantas para os canteiros aos 22 DAE, quando atingiram de três a quatro folhas, cujas bandejas foram irrigadas antes para facilitar o manuseio sem agredir e estressar as mudas. Após o transplantio jogou-se casca de arroz nos canteiros com o intuito de melhorar as condições biológicas do solo, como controlar a umidade. A irrigação dos canteiros foi realizada com o auxílio de um regador de dez litros, sendo irrigados uma vez ao dia.   

As avaliações foram realizadas em dois momen-tos, um no transplantio das mudas, no dia 23 de setembro de 2017, e outra após o desenvolvimento final das plantas no canteiro, no dia 27 de outubro de 2017, onde foram avaliadas cinco plantas por repetição em cada etapa da avaliação. As variáveis avaliadas foram número de folhas, comprimento da maior folha (cm), comprimento total (cm), massa verde (g) e massa seca (g).

Com o auxílio de uma régua de 30cm realizou-se a avaliação das variáveis de comprimento da maior folha (cm) e comprimento total da planta (cm), para ambas as etapas da avaliação. O comprimento da maior folha foi mensurado do pecíolo da folha até o final da nervura central. Já no comprimento total da planta considerou-se a distância vertical entre o colo da planta e a extremidade da última folha desenvolvida.

Posteriormente, as amostras coletadas no campo foram lavadas em água corrente, para a retirada das impurezas e levadas ao laboratório para a determinação da massa verde foliar e massa seca foliar.

Para a determinação da massa verde na primeira avaliação, as mudas foram pesadas em uma balança de precisão. Entretanto, na segunda avaliação, por conta do tamanho das plantas de rúcula a pesagem para determinar a massa verde foi feita em uma balança convencional. Após a determinação da massa verde, em ambas as avaliações, as plantas foram co-locadas em sacos de papel identificados, levados à estufa de circulação forçada de ar (65°C) por 72 horas para a determinação da massa seca e posteriormente foram pesadas em uma balança de precisão.

 Para avaliar os dados realizou-se a análise de variância, e as médias foram comparadas ao teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Mudas foram pesadas para determinar a massa verde.
Mudas foram pesadas para determinar a massa verde.
Experimento avaliou a influência de bandejas com diferentes tamanhos de células na produção de rúcula.
Experimento avaliou a influência de bandejas com diferentes tamanhos de células na produção de rúcula.

Resultados

As médias observadas para número de folhas (NF), comprimento da maior folha (CMF), comprimento total (CT), massa verde (MV) e massa seca (MS), aos 21 dias após a semeadura, verificou-se que o tratamento com a bandeja de 128 células proporcionou maior número de folhas, comprimento da maior folha, comprimento total e massa verde quando comparado aos demais tratamentos. No entanto, foi constatada maior massa seca com a utilização da bandeja de 288 células. Não houve diferença estatística entre o uso da bandeja de 200 e 288 células para as variá-veis estudadas, exceto para a massa seca (Tabela 2).

Os resultados observados na primeira etapa do experimento estão de acordo com os encontrados por Crippa (2015) que ao avaliar o desenvolvimento do repolho em diferentes tipos de bandeja e substrato, verificou que a bandeja de 128 células se sobressaiu quando comparada às de 200 células e 288 célu-las. Isso provavelmente se deve ao maior volume de substrato que envolve a planta nas bandejas de 128 células, por conta do maior espaço e volume de substrato em torno da muda, e consequentemente mais nutrientes e água disponíveis, o que proporciona condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento (Oliveira et al, 1993).

Salvador et al, (2001) notou em seus estudos que bandejas com células menores por conta da maior concentração de raízes necessitam de mais oxigênio e remoção de CO2, assim ficando vulneráveis ao estresse hídrico, por conta da quantidade de substrato, que nem sempre é suficiente para retenção ade-quada de água para manutenção da turgidez.

Em contrapartida, mudas produzidas em células maiores promove uma precocidade no cultivo da cultura e consequentemente uma colheita mais rápida comparada às mudas produzidas em bandejas de células menores. Portanto, o uso de bandejas com células maiores é uma alternativa favorável ao agricultor, pois as hortaliças maiores e mais pesadas são uma caraterística importante para comercializá-las posteriormente (Reghin & Otto, 2003).

Aos 25 dias após o transplantio, constatou-se que as bandejas de 128 e 200 células proporcionaram maiores médias observadas para todas as variáveis analisadas no estudo, quando comparadas ao tratamento 3 com o uso de 288 células (Tabela 3).

Apesar da bandeja de 128 células, na 1ª avalia-ção ter apresentado estaticamente o melhor resultado, na 2ª avaliação as plantas produzidas na bandeja de 200 células se igualaram estatisticamente, portanto, notou-se uma recuperação das plantas de rúcula, quando foram para um local em que encontraram condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento.

Resultados semelhantes foram reportados por Marques et al (2003) que verificaram que as melhores mudas de alface foram produzidas na bandeja de 128 células. No entanto, as mudas produzidas nas bandejas de 200 células apresentaram melhor recuperação no campo nas variáveis número de folhas, mas-sa verde e massa seca, se igualando estatisticamente com as mudas das bandejas de 128 células. Em relação às mudas produzidas na bandeja de 288 células, obtiveram os piores resultados estaticamente em todas as variáveis avaliadas e em ambas as avaliações, assim entrando em acordo com o presente experimento. 

Em estudos realizados por Echer et al (2000) notou-se uma diferença na qualidade das mudas, mesmo 55 dias após o transplantio. No entanto, com o decorrer do tempo as diferenças diminuem, podendo até desaparecer com o prolongamento do ciclo da cultura. Observa-se também que se o ciclo for prolongado até as plantas atingirem o ponto de colheita, ganha-se em produção por conta do atraso compensatório na colheita.

Apesar de observar que as bandejas de 128 e 200 células apresentaram plantas com maior desenvolvimento, Farinacio (2011) notou que os viveiristas e comerciantes de mudas têm uma maior preferência pela utilização de bandejas com 288 células, por considerarem-nas mais vantajosas por conta da maior concentração de mudas em um espaço reduzido, menor volume de substrato e maior facilidade no transporte em comparação a bandejas com 128 e 200 células.   

CONCLUSÃO

Para a produção de mudas de rúcula recomenda-se a utilização de bandejas de isopor com 200 células, pois possibilitam a obtenção de plantas adultas melhores tanto quanto as mudas produzidas nas bandejas de 128 células, aliando a vantagem de economia financeira, de substrato e de espaço físico, quando comparadas às outras bandejas. Com um saco de substrato comercial com 25kg, que custa em média R$ 41,50, preenche-se aproximadamente 31 bandejas com 200 células, enquanto a mesma quantidade de substrato preenche aproximadamente 20 bandejas com 128 células. 

Magda Liz Tavares Velasquez, Univag - Centro Universitário de Várzea Grande

Cultivar Hortaliças e Frutas Novembro 2019

A cada nova edição, a Cultivar Hortaliças e Frutas divulga uma série de conteúdos técnicos produzidos por pesquisadores renomados de todo o Brasil, que abordam as principais dificuldades e desafios encontrados no campo pelos produtores rurais. Através de pesquisas focadas no controle das principais pragas e doenças do cultivo de hortaliças e frutas, a Revista auxilia o agricultor na busca por soluções de manejo que incrementem sua rentabilidade. Na edição de novembro de 2019 você confere também: 

- Leprose dos citros
- Enxertia em hortaliças
- Combate da praga Diabrotica speciosa no tomate
- Ferramentas para controle das moscas-das-frutas 
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